quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

1974

O Teatro Meridional avista Portugal do alto de um promontório, o ano de 1974, ponto a partir do qual é possível, entre continuidades e rupturas, esboçar um antes e um depois na nossa história contemporânea. O Estado Novo, o 25 de Abril, a integração europeia e a “normalidade democrática” – matéria exposta para indagar, de uma forma mais evocativa do que ilustrativa, essa abstracção que leva o nome de “identidade portuguesa”. E como vem sendo habitual no trabalho deste colectivo (recordemos Para Além do Tejo e Por Detrás dos Montes), essa indagação faz-se por via de uma contida e expressiva rede de gestos e músicas, que quase prescinde da palavra para comunicar. Onze actores contam então com o corpo o tempo e o modo deste país eternamente adiado, levantando pequenas fábulas sobre a “efemeridade da utopia”, para pegarmos nas palavras do encenador Miguel Seabra, esse superlativo orquestrador de sentidos.

Criação: Teatro Meridional
Encenação: Miguel Seabra



Um espectáculo com bastante humor, mas que visa essencialmente a reflexão, e que prova, mais uma vez, que a expressão corporal consegue transmitir muito mais do que mil palavras.

Gostaria de poder recomendá-lo, mas infelizmente, já não se encontra em cena no Teatro Nacional S. João.

3 comentários:

Luísa disse...

A celina viu e recomenda ;)

Helena disse...

Posso não me ter expressado bem... Eu também vi, mas como já não está em cena, já não posso dizer para irem :p

Luísa disse...

mas eu n confio em ti, só na minha irmã. pode ser assim? :P

e sou lenta tb, tá? :P